Sobre o projeto

Este projeto foca-se na avaliação da motivação de estudantes de Medicina, particularmente na sua motivação para a aquisição de conhecimento e competências em Medicina.

O projeto baseia-se em duas teorias: a teoria da auto-determinação e a teoria socialcognitiva.

A primeira, foca-se na abordagem à motivação e personalidade humana, destacando a importância dos recursos internos dos seres humanos para o desenvolvimento da personalidade e autorregulação comportamental. Esta teoria determina um espectro de motivação, incluindo a amotivação, a motivação externa e a motivação interna. Esta última, divide-se ainda em três necessidades: competência, pertença e autonomia.

A segunda teoria é ampla, englobando a teoria da autoeficácia que enfatiza a importância do indivíduo e as perceções do indivíduo sobre suas capacidades pessoais como determinantes-chave de resultados bem-sucedidos. A teoria da autoeficácia, endossa claramente um ideal democrático que sugere que todos os indivíduos são competentes e capazes de ser bem-sucedidos, desde que tenham as oportunidades e a autoeficácia necessárias para perseguir seus objetivos.

Baseada nestas teorias, a literatura diz-nos que a motivação realmente importa para a performance dos estudantes de Medicina, no entanto, existe poucos estudos que tenham avaliado especificamente as diferentes dimensões definidas pela teoria da auto-determinação. Hongbin et al, estudaram precisamente a motivação de 1930 estudantes de Medicina chineses, concluindo que intervenções motivacionais para estudantes de Medicina devem-se focar em manter elevados níveis de motivação intrínseca, mas, para isso, é crucial que esta motivação seja medida e identificada entre cada cohorte pois a motivação é altamente influenciada por meios externos e pela cultura na qual os estudantes estão inseridos.

Partindo destas teorias, este projeto foi desenvolvido com o objetivo de adaptar a Academic Motivation Scale para o contexto específico dos estudantes de Medicina e, assim, permitir avaliar cada uma das dimensões da motivação explicadas na teoria da autodeterminação.

Será, então, possível quantificar cada uma das dimensões da motivação e perceber a distribuição pelo espetro da motivação. Com estes dados será possível criar incentivos que se adequam às necessidades internas dos estudantes de Medicina, entender como é que diferentes incentivos afetam estudantes diferentes e identificar os estudantes de Medicina que estão intrinsecamente motivados ou desmotivados e atuar de forma dirigida. Os dados adquiridos com este projeto podem ser de extrema importância para a Escola de Medicina da Universidade do Minho que se encontra em plena reforma curricular e podem promover um processo de melhoria da qualidade do ensino médico em Portugal.